Apresentações inusitadas fazem parte do modo como as coleções de meia-estação são apresentadas lá fora. Além da designer Cynthia Rowley (vide último post), outras grifes optaram por mostrar...
A designer Cynthia Rowley lançou sua coleção Resort de maneira inusitada: levou suas modelos, em um ônibus, para o meio de Manhattan – e apresentou sua coleção na rua, nos arredores dos prédios...
Mara Macdowell refletiu sobre os desastres naturais causados pela chuva no Rio de Janeiro nesse último semestre. A habilidade da natureza de destruir e construir de novo foi o ponto de partida para...
O universo rústico da carpintaria é visitado por Melk Zda neste inverno 2010. A palavra chave aqui é textura. Folhas de madeira, marchetaria, cestos de palha, portas antigas e pregos serviram de inspiração. Os tecidos desenvolvidos chegam a simular as nervuras da madeira – e a composição de alguns vestidos remete às camadas dos troncos das árvores. Cada pedacinho de tecido contém um detalhe, uma superfície inusitada, um adorno. O trabalho manual de Melk Zda prova que sua grife tem a oferecer muito mais que um conceito. São idéias vestíveis.
Silhueta/ Modelagem
O conceito do trabalho em madeira desdobra-se no exercício de transformar uma superfície plana em algo interessante. A técnica da marchetaria traz recortes precisos para as modelagens. As formas são geométricas, com dobras, recortes e babados.
Peças-chave
A antiga camisa típica de carpinteiro, bem como seu avental se vêem desconstruídas e servem de base para vestidos e casacos.
Detalhes
Plaquetas-paetês de lascas resinadas ornamentam vestidos
trabalhados em tapeçaria de seda.
Materiais
Tecidos tecnológicos produzidos pela Santa Constancia se misturam a sedas naturais modificadas artesanalmente no atelier de Melk Zda.
Cores
Mogno, madeira de pinho, eucalipto, pau-brasil, azul pátina, capim dourado, palha e laranja.
Acessórios
Pulseiras de resina e madeira. Colares grandes em resina. Cintos finos em couro.
Sapatos
Botas na altura da canela, open-toe e com salto em madeira, assinados por Gabi Fonseca.
Um dos desfiles mais esperados do Fashion Rio é do designer Melk Zda. Depois de uma coleção de Verão que discutia os símbolos da violência, Melk buscou o orgânico e a carpintaria como inspiração de seu inverno.
Está aberta a temporada de lançamentos para o inverno 2010. De 8 a 13 de janeiro, 27 grifes mostram suas coleções durante a 16ª edição do Fashion Rio, nos armazéns do Cais do Porto. Seis novas marcas estrearão nas passarelas cariocas: Andréa Marques; R. Groove; Nica Kessler; New Order, grife de acessórios; a mineira veterana Patachou; além de Lucas Nascimento, estilista brasileiro radicado em Londres.
O desfile que marcou a abertura do Fashion Rio foi da marca carioca Ausländer.
Ausländer
Backstage
Desfile
Resenha: Ausländer
por Luciana Dias
A Ausländer buscou inspiração no universo erótico do fotógrafo alemão Helmut Newton. Newton trabalhou muito com a nudez feminina e especialmente durante os anos 80, com temas fetichistas. Foi essa parte que aparece mais marcada na coleção de Inverno 2010 – com peças de roupa e sapatos cobertos por faixas em couro remetendo à prática do bondage. Mas algo que sempre se fez nas fotos de Newton foi uma pitada de humor, e faltou humor na Ausländer. Talvez seja culpa do make pesado, lindíssimo, mas tornou o styling meio literal demais. A garota Ausländer vem mais forte, equipada com ombreira maleáveis em couro tipo armadura, semelhantes ao que Ricardo Tisci mostrou em sua coleção para a Givenchy – Couture 09. Parece que a jovem consumidora da Ausländer quer trocar o blazer preppy com brasão por uma perfecto bem detonada.
Silhueta/ Modelagem
A silhueta é ajustada, próxima ao corpo.
Peças-chave
Leggins em lycra, camisetas oversized, botas acima do joelho, jaquetas perfecto e biker em couro.
Estampas
Listras, caveiras, dizeres bem humorados que são marca assinada da Ausländer.
Materiais
Denim, tricot, lycra, couro, algodão.
Cores
Preto, branco, cinza.
Acessórios
Pulseiras e munhequeiras em couro preto, cobertas por spikes em prata.
Sapatos
Botas acima do joelho, de cano médio e curto – sempre em preto, sempre coberta por tiras de couro e fivelas, bem ao estilo bondage.
Make
Moicanos de spikes e rostos pintados inteiramente de branco, ora cobertos por redes negras.
Continuamos a nossa retrospectiva – e agora vamos relembrar os momentos mais marcantes da temporada de inverno 2000!
2000 – parte II
Tendências
Kenzo, Roland Mouret, Gucci
A sensualidade exuberante continua tendo a Gucci de Tom Ford como carro chefe. Roland Mouret faz sua estréia – e podemos dizer que com o tempo ele ficou bastante contido!
Balenciaga, Givenchy e Jean-Paul Gaultier
Os anos 80 começam a ensaiar um retorno – mas vejam que a silhueta é bem mais caricata que a releitura oitentista recente, do fim da década.
Dolce&Gabbana, Celine e Gucci
A vontade do luxo exacerbado, em oposição ao minimalismo dos 90, começa o seu reinado. Muitos brocados e brilhos por aqui.
Prada, Kenzo e Fendi
O uso de peles anda junto com essa vontade do luxo exacerbado. E nesse momento, as peles aparecem sem pudor algum – como no desfile da Prada onde todos os looks tinham pele ainda que como um acessório.
Desfiles importantes
Christian Dior
John Galliano faz piada da logomania, ao criar vestidos com estampas de jornais com manchetes da Dior. As modelos foram maquiadas como se estivessem sujas, em alusão aos moradores de rua de Paris.
Marc Jacobs
Marc Jacobs faz mais um desfile impecável, pura inspiração sessentista. O fascínio atual com achados vintage deve muito a estética de Jacobs – que remixa o velho e o novo como poucos.
Hussein Chalayan
2000 foi um ano bem bom para o estilista. Após uma linda coleção de verão, o Inverno 2000 de Chalayan entrou para a história com sua passarela-instalação de objetos vestíveis. É ver para crer (e se emocionar).
Editoriais de moda
A finada The Face marcou a época com seus editorias assinados por David LaChapelle. A sensualidade debochada aqui é encarnada por Ana Claudia Michels.
Quer saber como foi o ano de 2001? Fica com a gente!
Após um breve intervalo, o blog MTP volta com muitas novidades. Por aqui vocês verão a cobertura completa das semanas de moda nacionais, bem como das Semanas de Paris no fim do mês. Fiquem atentos!
Resolvemos começar o ano fazendo uma retrospectiva da década, ano a ano, apontando o que de mais importante acontecia na moda e no mundo naquele momento. Vai ser uma longa viagem, mas a gente garante que vale a pena!
2000
Para que possamos entender o que estava acontecendo na moda nos anos 2000, temos que avaliar o que veio antes. A década de 80 foi dos excessos, do neon, dos clubs… mas a economia desaqueceu no fim. A economia desacelerada fez com que espirito do tempo mudasse durante os anos 90, onde a moda foi guiada por duas linhas-mestras principais. O minimalismo, com roupas de design econômico, simples e fortemente influenciado pelo esporte e pelo utilitário. E o grunge, que além daquela estética bem conhecida trouxe uma importante mudança: brechós tornaram-se lugares interessantes para o consumo. Usar roupas de segunda mão passa a ser a coisa legal a se fazer.
Em 1994, Kurt Cobain morre – e a força do grunge que tinha nele seu grande polo começa a diminuir. E 94 é também o ano em que Tom Ford assume as rédeas da Gucci, onde permaneceu até 2004. Em 95, Tom Ford chama Carine Roitfeld, stylist renomada (e desde 2001, editora da Vogue Francesa), para colaborar na criação da imagem de sua marca. O duo trouxe o glamour e a sensualidade para as passarelas, e fez com que a Gucci torna-se um dos ícones da década.
Tom Ford além de designer é também um talentoso homem de negócios, e tornou a Gucci rentável ao declarar em seus desfiles que a ostentação ainda tinha seu lugar. A logomania nunca foi tão forte, com um crescente consumo de bolsas, sapatos e roupas que gritassem de longe a qual maison pertenciam.
É nesse contexto que surge um dos grandes produtos culturais que irão definir o comportamento de consumo das mulheres no século XX: a série Sex and the City. A obsessão de Carrie Bradshaw por Manolos e Jimmy Choos ecoou no mundo inteiro, contando às mulheres que sim, era ok gastar o seu dinheiro com moda novamente.
Verão 2000
A dualidade entre o glamour sexy e espalhafatoso de grifes como Gucci e Versace e o minimalismo futurista de Jil Sander e Chalayan são o ponto de partida para a moda no começo da década.
Jil Sander, Versace e Prada
A camisaria apareceu em várias formas no verão. A grife Jil Sander é ainda um grande ícone da alfaiataria da qualidade. O vestido tipo chemise agradava pela praticidade.
Louis Vuitton, Prada e Givenchy
Os códigos do vestuário ainda se faziam muito presentes, indo de Prada à Givenchy, que na época era comandada por Alexander McQueen.
Calvin Klein, Lanvin e Ann Demeulemeester
A sensualidade ganhava território, aparecendo contida através de delicadas transparências na Calvin Klein e na Lanvin. Ann Demeulemeester apresenta uma de suas mais belas coleções, onde a sopreposição transparente ganha palavras bordadas em sua superfície.
Gucci, Versace e Chloé
O Verão de 2000 abrigou uma sensualidade mais explícita, em especial nos desfiles de Gucci, Versace e Chloé (aqui dirigida por Stella McCartney). Os amplos decotes e chamativas estampas faziam forte alusão à transição fashion que aconteceu no fim dos anos 70. A Vogue America chama esse look de “burguesa irônica”.
Gucci, Versace e Celine
Se os anos 90 foram uma década de forte hedonismo e culto ao corpo, os anos 2000 declaram que então é hora de mostrá-los. Não é a toa que a exuberância das modelos brasileiras marcou a década.
Sonia Rykiel, Alberta Ferreti e Fendi
Ainda não era um crime fashion andar com a barriga de fora…
Louis Vuitton, Dior e Balmain
Louis Vuitton, Dior e Balmain
…nem sair por aí com sua grife favorita estampada no peito!
Desfiles importantes
O ano de 2000 foi um momento importante na consolidação da carreira de Hussein Chalayan como um dos pensadores mais importantes da moda do século XX. Sua coleção intitulada “Before Minus Now apresentou várias peças icônicas, entre elas, o vestido-aeroplano.
No Brasil
A Semana de Moda brasileira ainda se chamava Morumbi Fashion na temporada de Verão 2000. Dois desfiles merecem destaque, o primeiro da marca G, de Gloria Coelho. Gloria utilizou tecidos leves e vaporosos, cortados a laser, criando belos volumes.
Lembrou outro desfile importante da estação, mas das passarelas internacionais: o Verão 2000 da Comme des Garçons.
Outro grande momento foi o desfile de Alexandre Herchcovitch. De acordo com Bitti Averbach, “O ápice do desfile foi quando as modelos, usando delicados vestidos brancos com flores aplicadas, paravam por instantes sob as lâmpadas de bronzeamento que faziam parte do cenário. Com a emissão dos raios UV, as roupas eram sutilmente tingidas de rosa pálido. ” Assista o vídeo abaixo!
E fiquem com a gente que ainda tem muito mais moda e mais causos pela frente!