A Mackage, marca assinada pelos designers Elisa Dahan e Eran Elfassy, fez seu debut como marca de ready-to-wear. Anteriormente focada apenas em outerwear (trench-coats, casacos, jaquetas), a Mackage apresentou também vestidos e peças individuais, seguindo a estética da marca, que sempre se inspirou muito no guarda roupa masculino.
A temporada de alta-costura, já começou – e você pode acompanhar os top desfiles por aqui! O verão 2010 da Maison Dior é assinado por John Galliano – e bem como na temporada anterior, Galliano continua prestando sua homenagem aos arquivos e história da casa. Vestidos referenciando o New Look, releituras das aristocráticas amazonas do século XIX, tecidos luxuosos e cabelos a la Daphne Guiness. Uma festa para os olhos, bem Galliano, e completamente Dior.
+ links: Pra quem gosta de bastidores, o blog MTP recomenda a jornalista brasileira Ana Clara Garmendia – tem imagens incríveis por lá. Visitem!
Para sua coleção de estréia no Fashion Rio, Lucas Nascimento buscou inspiração nas técnicas arquitetônicas, inovando no uso do tricot desde o tratamento do fio até a finalização das peças.
Silhueta/ Modelagem
A construção das peças ganham formas arredondadas, com comprimentos abaixo do joelho. As criações são ao mesmo tempo estruturadas e justíssimas – a ausência de cavas obriga os braços a ficarem rentes ao corpo, criando um estranho shape na parte superior da silhueta.
Peças-chave
Vestidos curtos e midi, sempre com volume enfatisado nos ombros. A textura dos vestidos varia. Saias sobrepostas em cores diferentes trazem um elemento quirky às roupas. Alguns sweaters recebem aplicações de placas metálicas em forma de mamilo, enquanto uma saia e um vestido são revestidos de placas em formato quadrado. As calças são cintura alta, e os shorts, curtíssimos, tipo hot pants.
Materiais
Tricot em lurex e mohair. As texturas são ora ondulares, ora tipo escamas e também há momentos em que lembram o neoprene. Cores
Dourado, cobre, furta-cor, pink, amarelo, marrom, azul-bic e rosa flúor.
Calçados
Sapatos plataforma altíssimos, criados por Klaus Schmidt. De longe parecem mules com meias curtas, mas não passa de efeito óptico – as “meias” são na verdade feitas em couro, e fazem parte do sapato.
A coleção inverno 2010 da Cantão se chamou Entremundos, celebrando a convergência de culturas, o constraste entre Oriente e Ocidente – misturando diferentes referências com harmonia. Essa foi a última coleção de Yamê Reis frente a marca.
Silhueta/ Modelagem
Silhuetas em sua maioria levemente amplas, ecoando o espírito bo-ho despojado que permeia a coleção.
Peças-chave
As referências étnicas andam lado a lado com a estética rocker, e coexistem com referências militares. Casacos de inspiração militar aparecem junto de saias bordadas, ou acessorizados com cintos com brilho – trazendo sofisticação às peças. Os ombros ganham destaque, em vestidos e blusas com ombreiras arredondadas. As saias longas estampadas fazem bonito junto de blusas com decote drapeado. Muitas peças recebem aplicações de correntes, nos quadris e ombros – mostrando que muitas vezes o acessório pode fazer parte da própria roupa.
Estampas
Arabescos, xadrezes e listras
Materiais
Veludo de seda, jeans em duas tonalidades justapostas, musseline de seda, palha Twil, algodão e viscose com fio lurex, viscose, kobe, patchwork de tricô mesclado.
Walter Rodrigues continua no ensejo de criar roupas especiais para o cotidiano, roupas sem grandes efeitos – do tipo que sai da passarela direto para a rua. Muitos o fazem sem encantar os olhos, mas esse não é o caso de Walter. A delicadeza no trato do tecido e na construção da roupa transparece – e sua coleção de Outono/Inverno 2010 oferece peças desejáveis para todas as idades. Basta saber olhar.
Silhueta/ Modelagem
As formas são amplas, geométricas e sobrepõem-se criando uma imagem de aconchego e conforto – sem deixar de ser bem moderno.
Peças-chave
Quimonos, casacos amploes e geométricos, saias em moulage, calças pantalonas de boca tão larga que se passam por saias. Vestidos simples e belíssimos, como o preto assimétrico justo, usado por cima de calça. Casacos com aspecto enrugado, emulando a aparência de elementos orgânicos (idéia vista também no desfile de Melk Zda).
Giulia Borges partiu do medo do escuro para criar sua coleção inverno 2010. Apesar de um tom sombrio, com referências ao vestuário da icônica Wandinha Addams, a coleção é marcada por detalhes lúdicos e algo infantis.
Silhueta/ Modelagem
A cintura é bem marcada, e a silhueta é avolumada nos ombros. Os comprimentos são predominantemente curtos.
Peças-chave
Saias godês bem curtas e volumosas. Vestidos com golas brancas, a lá Wendy Addams. Vários vestidos faziam referência ao vestuário vitoriano, através de corset de barbatanas e camisas em tecidos fluidos, com amplas mangas, adornadas com grandes laços. O legging de tule em pois acompanha todos os looks.
Estampas
Xadrez. Estampa de desenho desenvolvidi pelo artista canadense Kristian Adam, que desenha bonecas com formas humanas imperfeitas.
Materiais
Cetim, tule, seda, chiffon, pele, couro, plaquetas de plástico.
Cores
Preto, branco, nude, vermelhos pontuais.
Acessórios
As meinhas soquetes tinham detalhes de plaquetas de plástico que se confundiam aos sapatos. Munhequeiras de lã também ganharam apliques de plaquetas. Laços de cetim e capacetes revestidos do mesmo material decoravam os cabelos das modelos.
Sapatos
Sandálias plataformas altíssimas, com laços na tira de couro posterior.
Make
Pele mate, com destaque para os lábios em vermelho com pontos de luz purpurinados.
O universo rústico da carpintaria é visitado por Melk Zda neste inverno 2010. A palavra chave aqui é textura. Folhas de madeira, marchetaria, cestos de palha, portas antigas e pregos serviram de inspiração. Os tecidos desenvolvidos chegam a simular as nervuras da madeira – e a composição de alguns vestidos remete às camadas dos troncos das árvores. Cada pedacinho de tecido contém um detalhe, uma superfície inusitada, um adorno. O trabalho manual de Melk Zda prova que sua grife tem a oferecer muito mais que um conceito. São idéias vestíveis.
Silhueta/ Modelagem
O conceito do trabalho em madeira desdobra-se no exercício de transformar uma superfície plana em algo interessante. A técnica da marchetaria traz recortes precisos para as modelagens. As formas são geométricas, com dobras, recortes e babados.
Peças-chave
A antiga camisa típica de carpinteiro, bem como seu avental se vêem desconstruídas e servem de base para vestidos e casacos.
Detalhes
Plaquetas-paetês de lascas resinadas ornamentam vestidos
trabalhados em tapeçaria de seda.
Materiais
Tecidos tecnológicos produzidos pela Santa Constancia se misturam a sedas naturais modificadas artesanalmente no atelier de Melk Zda.
Cores
Mogno, madeira de pinho, eucalipto, pau-brasil, azul pátina, capim dourado, palha e laranja.
Acessórios
Pulseiras de resina e madeira. Colares grandes em resina. Cintos finos em couro.
Sapatos
Botas na altura da canela, open-toe e com salto em madeira, assinados por Gabi Fonseca.
Um dos desfiles mais esperados do Fashion Rio é do designer Melk Zda. Depois de uma coleção de Verão que discutia os símbolos da violência, Melk buscou o orgânico e a carpintaria como inspiração de seu inverno.
Continuamos a nossa retrospectiva – e agora vamos relembrar os momentos mais marcantes da temporada de inverno 2000!
2000 – parte II
Tendências
Kenzo, Roland Mouret, Gucci
A sensualidade exuberante continua tendo a Gucci de Tom Ford como carro chefe. Roland Mouret faz sua estréia – e podemos dizer que com o tempo ele ficou bastante contido!
Balenciaga, Givenchy e Jean-Paul Gaultier
Os anos 80 começam a ensaiar um retorno – mas vejam que a silhueta é bem mais caricata que a releitura oitentista recente, do fim da década.
Dolce&Gabbana, Celine e Gucci
A vontade do luxo exacerbado, em oposição ao minimalismo dos 90, começa o seu reinado. Muitos brocados e brilhos por aqui.
Prada, Kenzo e Fendi
O uso de peles anda junto com essa vontade do luxo exacerbado. E nesse momento, as peles aparecem sem pudor algum – como no desfile da Prada onde todos os looks tinham pele ainda que como um acessório.
Desfiles importantes
Christian Dior
John Galliano faz piada da logomania, ao criar vestidos com estampas de jornais com manchetes da Dior. As modelos foram maquiadas como se estivessem sujas, em alusão aos moradores de rua de Paris.
Marc Jacobs
Marc Jacobs faz mais um desfile impecável, pura inspiração sessentista. O fascínio atual com achados vintage deve muito a estética de Jacobs – que remixa o velho e o novo como poucos.
Hussein Chalayan
2000 foi um ano bem bom para o estilista. Após uma linda coleção de verão, o Inverno 2000 de Chalayan entrou para a história com sua passarela-instalação de objetos vestíveis. É ver para crer (e se emocionar).
Editoriais de moda
A finada The Face marcou a época com seus editorias assinados por David LaChapelle. A sensualidade debochada aqui é encarnada por Ana Claudia Michels.
Quer saber como foi o ano de 2001? Fica com a gente!
Após um breve intervalo, o blog MTP volta com muitas novidades. Por aqui vocês verão a cobertura completa das semanas de moda nacionais, bem como das Semanas de Paris no fim do mês. Fiquem atentos!
Resolvemos começar o ano fazendo uma retrospectiva da década, ano a ano, apontando o que de mais importante acontecia na moda e no mundo naquele momento. Vai ser uma longa viagem, mas a gente garante que vale a pena!
2000
Para que possamos entender o que estava acontecendo na moda nos anos 2000, temos que avaliar o que veio antes. A década de 80 foi dos excessos, do neon, dos clubs… mas a economia desaqueceu no fim. A economia desacelerada fez com que espirito do tempo mudasse durante os anos 90, onde a moda foi guiada por duas linhas-mestras principais. O minimalismo, com roupas de design econômico, simples e fortemente influenciado pelo esporte e pelo utilitário. E o grunge, que além daquela estética bem conhecida trouxe uma importante mudança: brechós tornaram-se lugares interessantes para o consumo. Usar roupas de segunda mão passa a ser a coisa legal a se fazer.
Em 1994, Kurt Cobain morre – e a força do grunge que tinha nele seu grande polo começa a diminuir. E 94 é também o ano em que Tom Ford assume as rédeas da Gucci, onde permaneceu até 2004. Em 95, Tom Ford chama Carine Roitfeld, stylist renomada (e desde 2001, editora da Vogue Francesa), para colaborar na criação da imagem de sua marca. O duo trouxe o glamour e a sensualidade para as passarelas, e fez com que a Gucci torna-se um dos ícones da década.
Tom Ford além de designer é também um talentoso homem de negócios, e tornou a Gucci rentável ao declarar em seus desfiles que a ostentação ainda tinha seu lugar. A logomania nunca foi tão forte, com um crescente consumo de bolsas, sapatos e roupas que gritassem de longe a qual maison pertenciam.
É nesse contexto que surge um dos grandes produtos culturais que irão definir o comportamento de consumo das mulheres no século XX: a série Sex and the City. A obsessão de Carrie Bradshaw por Manolos e Jimmy Choos ecoou no mundo inteiro, contando às mulheres que sim, era ok gastar o seu dinheiro com moda novamente.
Verão 2000
A dualidade entre o glamour sexy e espalhafatoso de grifes como Gucci e Versace e o minimalismo futurista de Jil Sander e Chalayan são o ponto de partida para a moda no começo da década.
Jil Sander, Versace e Prada
A camisaria apareceu em várias formas no verão. A grife Jil Sander é ainda um grande ícone da alfaiataria da qualidade. O vestido tipo chemise agradava pela praticidade.
Louis Vuitton, Prada e Givenchy
Os códigos do vestuário ainda se faziam muito presentes, indo de Prada à Givenchy, que na época era comandada por Alexander McQueen.
Calvin Klein, Lanvin e Ann Demeulemeester
A sensualidade ganhava território, aparecendo contida através de delicadas transparências na Calvin Klein e na Lanvin. Ann Demeulemeester apresenta uma de suas mais belas coleções, onde a sopreposição transparente ganha palavras bordadas em sua superfície.
Gucci, Versace e Chloé
O Verão de 2000 abrigou uma sensualidade mais explícita, em especial nos desfiles de Gucci, Versace e Chloé (aqui dirigida por Stella McCartney). Os amplos decotes e chamativas estampas faziam forte alusão à transição fashion que aconteceu no fim dos anos 70. A Vogue America chama esse look de “burguesa irônica”.
Gucci, Versace e Celine
Se os anos 90 foram uma década de forte hedonismo e culto ao corpo, os anos 2000 declaram que então é hora de mostrá-los. Não é a toa que a exuberância das modelos brasileiras marcou a década.
Sonia Rykiel, Alberta Ferreti e Fendi
Ainda não era um crime fashion andar com a barriga de fora…
Louis Vuitton, Dior e Balmain
Louis Vuitton, Dior e Balmain
…nem sair por aí com sua grife favorita estampada no peito!
Desfiles importantes
O ano de 2000 foi um momento importante na consolidação da carreira de Hussein Chalayan como um dos pensadores mais importantes da moda do século XX. Sua coleção intitulada “Before Minus Now apresentou várias peças icônicas, entre elas, o vestido-aeroplano.
No Brasil
A Semana de Moda brasileira ainda se chamava Morumbi Fashion na temporada de Verão 2000. Dois desfiles merecem destaque, o primeiro da marca G, de Gloria Coelho. Gloria utilizou tecidos leves e vaporosos, cortados a laser, criando belos volumes.
Lembrou outro desfile importante da estação, mas das passarelas internacionais: o Verão 2000 da Comme des Garçons.
Outro grande momento foi o desfile de Alexandre Herchcovitch. De acordo com Bitti Averbach, “O ápice do desfile foi quando as modelos, usando delicados vestidos brancos com flores aplicadas, paravam por instantes sob as lâmpadas de bronzeamento que faziam parte do cenário. Com a emissão dos raios UV, as roupas eram sutilmente tingidas de rosa pálido. ” Assista o vídeo abaixo!
E fiquem com a gente que ainda tem muito mais moda e mais causos pela frente!