
por Luciana Dias
Após um breve intervalo, o blog MTP volta com muitas novidades. Por aqui vocês verão a cobertura completa das semanas de moda nacionais, bem como das Semanas de Paris no fim do mês. Fiquem atentos!
Resolvemos começar o ano fazendo uma retrospectiva da década, ano a ano, apontando o que de mais importante acontecia na moda e no mundo naquele momento. Vai ser uma longa viagem, mas a gente garante que vale a pena!
2000

Para que possamos entender o que estava acontecendo na moda nos anos 2000, temos que avaliar o que veio antes. A década de 80 foi dos excessos, do neon, dos clubs… mas a economia desaqueceu no fim. A economia desacelerada fez com que espirito do tempo mudasse durante os anos 90, onde a moda foi guiada por duas linhas-mestras principais. O minimalismo, com roupas de design econômico, simples e fortemente influenciado pelo esporte e pelo utilitário. E o grunge, que além daquela estética bem conhecida trouxe uma importante mudança: brechós tornaram-se lugares interessantes para o consumo. Usar roupas de segunda mão passa a ser a coisa legal a se fazer.
Em 1994, Kurt Cobain morre – e a força do grunge que tinha nele seu grande polo começa a diminuir. E 94 é também o ano em que Tom Ford assume as rédeas da Gucci, onde permaneceu até 2004. Em 95, Tom Ford chama Carine Roitfeld, stylist renomada (e desde 2001, editora da Vogue Francesa), para colaborar na criação da imagem de sua marca. O duo trouxe o glamour e a sensualidade para as passarelas, e fez com que a Gucci torna-se um dos ícones da década.

Tom Ford além de designer é também um talentoso homem de negócios, e tornou a Gucci rentável ao declarar em seus desfiles que a ostentação ainda tinha seu lugar. A logomania nunca foi tão forte, com um crescente consumo de bolsas, sapatos e roupas que gritassem de longe a qual maison pertenciam.

É nesse contexto que surge um dos grandes produtos culturais que irão definir o comportamento de consumo das mulheres no século XX: a série Sex and the City. A obsessão de Carrie Bradshaw por Manolos e Jimmy Choos ecoou no mundo inteiro, contando às mulheres que sim, era ok gastar o seu dinheiro com moda novamente.
Verão 2000
A dualidade entre o glamour sexy e espalhafatoso de grifes como Gucci e Versace e o minimalismo futurista de Jil Sander e Chalayan são o ponto de partida para a moda no começo da década.

Jil Sander, Versace e Prada
A camisaria apareceu em várias formas no verão. A grife Jil Sander é ainda um grande ícone da alfaiataria da qualidade. O vestido tipo chemise agradava pela praticidade.

Louis Vuitton, Prada e Givenchy
Os códigos do vestuário ainda se faziam muito presentes, indo de Prada à Givenchy, que na época era comandada por Alexander McQueen.

Calvin Klein, Lanvin e Ann Demeulemeester
A sensualidade ganhava território, aparecendo contida através de delicadas transparências na Calvin Klein e na Lanvin. Ann Demeulemeester apresenta uma de suas mais belas coleções, onde a sopreposição transparente ganha palavras bordadas em sua superfície.

Gucci, Versace e Chloé
O Verão de 2000 abrigou uma sensualidade mais explícita, em especial nos desfiles de Gucci, Versace e Chloé (aqui dirigida por Stella McCartney). Os amplos decotes e chamativas estampas faziam forte alusão à transição fashion que aconteceu no fim dos anos 70. A Vogue America chama esse look de “burguesa irônica”.

Gucci, Versace e Celine
Se os anos 90 foram uma década de forte hedonismo e culto ao corpo, os anos 2000 declaram que então é hora de mostrá-los. Não é a toa que a exuberância das modelos brasileiras marcou a década.

Sonia Rykiel, Alberta Ferreti e Fendi
Ainda não era um crime fashion andar com a barriga de fora…

Louis Vuitton, Dior e Balmain
Louis Vuitton, Dior e Balmain
…nem sair por aí com sua grife favorita estampada no peito!
Desfiles importantes


O ano de 2000 foi um momento importante na consolidação da carreira de Hussein Chalayan como um dos pensadores mais importantes da moda do século XX. Sua coleção intitulada “Before Minus Now apresentou várias peças icônicas, entre elas, o vestido-aeroplano.

Este vestido é hoje parte do acervo do Met, em NY.
No Brasil
A Semana de Moda brasileira ainda se chamava Morumbi Fashion na temporada de Verão 2000. Dois desfiles merecem destaque, o primeiro da marca G, de Gloria Coelho. Gloria utilizou tecidos leves e vaporosos, cortados a laser, criando belos volumes.

Lembrou outro desfile importante da estação, mas das passarelas internacionais: o Verão 2000 da Comme des Garçons.

Outro grande momento foi o desfile de Alexandre Herchcovitch. De acordo com Bitti Averbach, “O ápice do desfile foi quando as modelos, usando delicados vestidos brancos com flores aplicadas, paravam por instantes sob as lâmpadas de bronzeamento que faziam parte do cenário. Com a emissão dos raios UV, as roupas eram sutilmente tingidas de rosa pálido. ” Assista o vídeo abaixo!
E fiquem com a gente que ainda tem muito mais moda e mais causos pela frente!
por Luciana Dias


